6 de novembro de 2016

A mediocridade escolar

Constatei, faz já algum tempo, que a educação básica brasileira é feita para medíocres. Talvez seja uma característica estrutural não só da educação, mas do próprio país. Aqui, os medíocres têm valor, as grandes mentes vivem nas sombras. Quando nas escolas se fala em “aulas dinâmicas” (algo que ninguém sabe exatamente o que é), o objetivo disso é tirar os alunos medíocres do tédio. Pois os alunos com mentes superiores não precisam de dinamismos infantiloides, precisam apenas de um problema para resolver. Afinal, professor vestido de palhaço, que conta piadinhas e faz “dinâmicas” debiloides, para as grandes mentes, não passam de seres ridículos.
Em nossas escolas, se o professor lança um problema difícil, os medíocres se entregam ao tédio, pois para eles é chato pensar. Como são maioria, a escola vê nisso um problema e busca nas “aulas dinâmicas” a solução. Nunca ouvi um dirigente ou coordenador de uma escola dizer ao professor que ele deveria propor problemas mais difíceis, porém ouço todos os anos a cobrança de que ele faça aulas mais dinâmicas.
Quando é exigido do aluno medíocre que ele pense, este torce o nariz e diz que aquilo tudo é muito chato, e isso mobiliza toda uma comunidade escolar para fazer o impossível: agradar ao medíocre. A escola nunca agradará ao medíocre, porque o ambiente do conhecimento o enfada, lembra-o de que poderia estar dormindo, comendo, batendo punheta ou falando sobre inutilidades, ou seja, para ele, estar na escola é uma perda de tempo.
É natural que a maioria da população seja mediana. Mas não são os medianos que transformam o mundo, são as grandes mentes. Porém, a escola gasta toda sua energia com os medíocres, e aqueles que fariam a diferença são imobilizados, inutilizados, castrados. Os medíocres sempre serão entediados diante do conhecimento, pois todo esforço mental os entedia. Não há solução para isso, a não ser uma educação sem conteúdo, realidade brasileira já existente. Dessa forma, um país que valoriza o mediano, será sempre um país mediano, isto é, medíocre.
O curioso é que as grandes mentes precisam de muito pouco. Não precisam de grandes aparatos tecnológicos nem de acrobacias de professor showman. Aliás, abominam as piadinhas corriqueiras de professores-palhaços. A elas basta dar-lhes o que pensar, um problema, seja de caráter concreto ou abstrato, e farão disso algo que valha a pena. É claro que algumas boas ironias também são bem-vindas, pois essas meninas e esses meninos têm muito senso de humor, só que são mais exigentes e se entediam com piadinhas médias.
Então, o que fazer com os medíocres? Essa pergunta vem sendo eufemisticamente feita há anos. Assim se explica a mediocridade do ensino básico no país. Então, por que não começamos a perguntar o que fazer com as grandes mentes? Para dar autoestima a um medíocre, rios de dinheiro e energia mental são gastos todos os anos. Mas para dar alimento às grandes mentes, só basta uma pergunta, um problema.
Talvez, se a educação brasileira fosse comandada por grandes mentes e não por medíocres, talvez, só talvez, fosse diferente.


Warley Matias de Souza.

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