14 de novembro de 2016

O cidadão médio

O cidadão médio é maioria absoluta, ele é a regra e não gosta de exceções. A exceção perturba-o, ela tem um quê de ameaça que perturba o seu pensamento médio ainda muito pouco distante do instinto animal.
Ele só se importa com o conhecimento funcional, para um fim. Entende o mundo a partir de sacrifício e recompensa. Mas é preguiçoso no pensar, todo esforço mental o entedia e, muitas vezes, provoca-lhe irritação. Busca o sexo, a casa própria, o casamento, os filhos, o carro, o empregão. É domesticado, vai a aniversários, casamentos, formaturas e funerais, sem qualquer questionamento. Se não questiona a banalidade do dia a dia, que dirá questões outras.
É egocêntrico, mas é solidário porque tem medo do inferno ou porque os outros estão olhando. Preocupa-se demasiadamente com o olhar do outro, não ousa sair das convenções, a não ser quando rasteja nas sombras da hipocrisia.
O cidadão médio é autoritário, faz de tudo para que a exceção obedeça às suas convenções, não consegue ver além e tem pouca ou nenhuma imaginação. Os seus delírios são implantados em sua mente sugestionável pelos clichês da televisão. Ele precisa de sexo, violência ou piada ruim para manter-se acordado.
Qualquer conhecimento mais elaborado provoca-lhe o sono, a arte provoca-lhe o sono. E quando é questionado em suas superstições, ele fica enfurecido e parte para a violência.
As exceções têm dificuldade em viver em um mundo médio, todo estruturado para o cidadão médio, que ridiculariza a inteligência e acredita que o que não serve para nada não tem valor.
Esse é o cidadão médio, inconsciente da própria mediocridade.


Warley Matias de Souza.

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