1 de abril de 2017

A cara do Brasil

O governo Temer está investindo forte na propaganda, no velho estilo Goebbels, “uma mentira dita cem vezes torna-se verdade”. Espero que esteja pagando toda essa parafernália midiática com o dinheiro do seu grande bolso. Todo o tempo, o governo Temer bate na tecla do “fundo de garantia liberado para o cidadão”, como se fosse um pai dos pobres trabalhadores, que podem agora gastar o dinheiro que foi para eles uma garantia para os momentos difíceis, não para servir de instrumento para o governo fazer o dinheiro circular e dar lucro aos empresários. Mas a propaganda massiva é recurso histórico de totalitaristas. É preciso agradar ao povo descontente, é preciso enganar os trouxas, que se contentam com tão pouco, talvez porque não têm muito.
No entanto, de alguma forma, o tiro saiu pela culatra, pois alguns dos empresários a quem o governo Temer tanto ama foram pegos desprevenidos, pois não estavam depositando a parcela do fundo para os seus trabalhadores. Essa nova trapalhada do governo se deveu obviamente a algum problema de comunicação com os príncipes, ou melhor, com os empresários brasileiros. Afinal, nem o Ministério do Trabalho sabia que isso estava acontecendo. Do contrário, o competente ministro teria alertado o seu presidente sobre tal fato para que ele, de novo, protegesse seus amiguinhos do empresariado brasileiro, que saíram às ruas para tirar a presidenta Dilma e colocar seu vice sombrio no poder. E, diferente do cidadão comum, quando o capitalista coloca alguém no poder, ele passa a controlar esse poder. Depois dessa, o presidente deve ter levado alguns puxões de orelha dos seus amiguinhos.
Está muito claro, desde o início, que o governo Temer governa para os empresários. Ele tenta, desesperadamente, agradar a essa classe, que parece ter mais poder no país do que o próprio monarca, ou melhor, o presidente. Para que o empresário tenha mais lucro, o trabalhador precisa perder direitos, afinal, é muito oneroso para nossos empresários brasileiros recompensar seus funcionários pelo trabalho árduo que eles exercem todos os dias úteis (ou inúteis, já que ganham um salário de fome). Dignidade para o funcionário pode significar, para o empresário, menos idas a Miami, menos cirurgias plásticas para a dondoca do lar, menos brinquedos inúteis para os filhinhos fúteis e solitários, pouco dinheiro para as farras com as amantes e para mais um carrão na garagem, e não podemos esquecer da contribuição às igrejas para conquistar também um lugar no céu, pois são cidadãos crentes em Deus.
O trabalhador comum no Brasil realiza trabalho escravo, não nos moldes do século XIX, mas nos moldes do século XXI. Indivíduos que trabalham o dia inteiro. Saem de casa pela manhã, muitas vezes antes do raiar do Sol, e chegam à noite, têm três folgas por mês, ganham salário mínimo. E todos acham que isso é normal. O que acharia sua alteza e seus asseclas se tivessem que cumprir essa jornada árida todos os dias? Provavelmente, não achariam nada, pois o trabalhador no Brasil é sempre obrigado a estar ocupado o tempo inteiro, com suas funções ou com o entretenimento da televisão, do futebol e da cerveja. Não sobra tempo para protestar, não sobra tempo para se informar, não sobra tempo para ser cidadão. “Eu sou escravo, com muito orgulho, com muito amor.”
Hoje o país é vitimado por um presidente que busca fazer reformas a toque de caixa, reformas que nunca beneficiam o brasileiro que faz o trabalho que mantém este país de pé, mas que ganha salário mínimo, ainda, pois o futuro é incerto, e o salário mínimo pode deixar de ser uma obrigatoriedade. Contudo, os protestos começam a se intensificar agora com a iminência da reforma da previdência, o que não aconteceu com a reforma da educação, um estrago irremediável, o decreto da morte do pensamento crítico e da instituição da educação funcional, máquina de matar cidadãos.
No protesto da classe trabalhadora, dos professores, dos estudantes, a polícia aparece com sua violência de cada dia, e a imprensa mostra o quanto somos violentos e torce o nariz para a ralé que não é tão educada quanto a elite verde-amarela, dona do Brasil, que não foi agredida pelos policiais quando protestou pelo impeachment e pela defesa de seus desejos egoístas, isso porque é dona da polícia, que é mais uma de seus subalternos há séculos, nesta democracia fajuta, em que só a voz dos poderosos é ouvida. Porém, estes deviam estudar História para saber que, quando o povo não consegue ser ouvido, ele recorre à violência física, último recurso diante da violência da opressão. E os culpados são os poderosos, em seus castelos de vidro, ilusoriamente seguros.
Na propaganda enganosa do governo Temer, pseudoatores e pseudoatrizes desconhecidos elogiam o governo, desmentem o machismo do monarca, ou melhor, presidente, como se seu discurso no Dia Internacional da Mulher não falasse por ele, e ousam usar a palavra “Deus”, pois a fé no Brasil é valorizada e está na boca de todos aqueles que querem ser aceitos. Na propaganda temerosa, as reformas são para o bem dos pobres imbecis que enchem a Caixa Econômica para pegar a sua garantia e doá-la aos empresários, transformá-la em pó.
Ó, que “país é este”? Nossos “heróis morreram de overdose” e nossos “inimigos estão no poder”. “Brasil, mostra a sua cara!”, pois “a burguesia fede” e mata a poesia. E, em prol da poesia, de uma vida menos cadela, nossos poetas Cazuza e Renato Russo, se estivessem vivos, provavelmente, gritariam em alto e bom som: Fora Temer!

Warley Matias de Souza.

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